segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

                               Levíticos 26:1 a 38
            
     Este capítulo começa convocando o povo a não se render à idolatria e a guardar os sábados (descansos solenes). Certamente estas são boas formas de começar a se afastar do pecado e de suas terríveis consequencias descritas neste trecho.
     A partir do verso 3 o Senhor mostra as bênçãos recebidas decorrentes da obediências aos seus estatutos: colheita farta, vitórias sobre os inimigos, multiplicação dos filhos e a maior de todas, "Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo."
     Em contrapartida, a lista dos castigos decorrentes da desobediência é enorme. E por várias vezes, após dizer o que aconteceria ao povo, Deus recomeça dizendo: "se ainda assim com isto não me ouvires" ou "se ainda não vos corrigirdes para volverdes a mim". Ele demonstra que estava disposto a abençoar seu povo se este abandonasse o pecado, mas a aumentar o castigo em caso de impenitência. Deus anuncia o castigo esperando que o povo não ande por aquele caminho por amor a ele e pelo temor das consequencias. E conforme o povo prosegue em sua obstinação, maiores são as penas impostas, como na saída do Egito quando Moisés anunciava a Faraó a próxima praga, que seria maior que a anterior, e mesmo assim Faraó não se dobrava, culminando na terrível praga da morte de todos os primogênitos do Egito.
     É incrível como este capítulo deixa claro que é o próprio Deus quem executa a justiça. Deus não se desculpa, ou se isenta quando diz que ELE mesmo é quem faz vir o castigo sobre o povo. Bem diferente do "deus papai noel" que se prega hoje em dia. Bem diferente do deus que apenas deixa ou permite que as coisas aconteçam. Bem diferente do deus que não tem como impedir as desgraças como diz o teísmo aberto. Vejamos as coisas que ELE mesmo diz que faria ao seu povo caso a desobediência permanecesse: "porei sobre vós o terror", "voltar-me-ei contra vós outros", "quebrantarei a soberba da vossa força", "enviarei para o meio de vós as feras do campo", "eu mesmo vos ferirei sete vezes mais por causa do vossos pecados", "trarei sobre vós a espada vingadora da minha aliança", "quando eu vos tirar o sustento do pão", "eu também, com furor serei contrário a vós", "reduzirei as vossas cidades a desertos", "assolarei a terra", "eu lhes meterei no coração tal ansiedade". São ameaças que o próprio Deus faz e cumpre! Isto deixa claro para nós que ele é sim um Deus amoroso e mui misericordioso, mas é também um Deus justo, santo e que odeia o pecado e não admite este caminho para seu povo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

                                     Levíticos 25


     Ao entrar na terra prometida, o povo deveria guardar um ano em cada sete. Neste ano o povo não deveria plantar nem colher. A terra deveria descansar para depois voltar a produzir. Mas este não seria um ano de ociosidade. Deveria ser um ano dedicado ao ensino da palavra de Deus e da lei. Os levitas e sacerdotes deveriam se encarregar desta tarefa. Este era chamado de Ano do Descanso, ou Ano Sabático.
     Também foi instituído o Ano do Jubileu, que seriam dois anos seguidos de descanso a cada cinquenta anos. No ano do Jubileu deveria ser dada liberdade aos escravos hebreus, devolver ao primeiro dono a terra que se havia adquirido dele e perdoar as dívidas dos outros.
     O princípio de que a terra pertencia ao Senhor, era a razão destas leis sobre a ocupação. Os hebreus poderiam ocupar a terra, mas não vendê-la perpétuamente, pois não eram seus verdadeiros donos, mas estrangeiros e forasteiros neste mundo.
     Vemos aqui um claro paralelo entre o israelita com seu terreno e as nossas possessões materiais. Da mesma forma que o hebreu não era o verdadeiro dono da terra, mas apenas a utilizava provisoriamente, assim "... o crente deve considerar suas posses neste mundo como algo temporal, emprestado por Deus. O crente é apenas um mordomo dos bens de seu Deus. Por ser estrangeiro e peregrino, acompanhado por Deus em sua viagem pela terra, já que sua verdadeira pátria se encontra no céu, não deve apegar-se a coisas deste mundo" Paul Hoff
     Que linda lição! A preocupação de Deus é que seus filhos tenham com o que se sustentar e a também possam acudir ao necessitado. O tempo toda a Bíblia demonstra o Senhor dando ordens expressas para cuidarmos uns dos outros, os mais pobres dos mais ricos, das viúvas, dos órfãos. Quando um hebreu empobrecia, o vizinho mais rico deveria dar-lhe alimento, alojamento e emprestar-lhe dinheiro sem cobrar juros. Desta forma, Deus colocava freios ao desejo desmedido de acumular bens materiais e se impedia que houvesse extremos de miséria e riqueza.
     Todos nós somos mordomos daquilo que o senhor nos deu: maridos, esposas, filhos, dinheiro, bens... nada é nosso, tudo pertence a ele e devemos estar conscientes que prestaremos contas a ele de tudo que ele pôs em nossas mãos para administrarmos. Por isso devemos sempre nos perguntar: temos considerado que o que temos é exclusivamente nosso? Qual a nossa maior preocupação quando pensamos em dinheiro, o nosso bem estar, ou a vontade de Deus, os necessitados etc? Temos a noção exata do modo como temos administrado o que não nos pertence, mas ao Senhor? Grande responsabilidade...usar para o bem comum da Igreja aquilo que o Senhor colocou em nossas mãos: nossos bens, nosso carro, nossa casa, nossos dons, nosso dinheiro, nossa vida!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

                                    Levíticos 24:17 a 23


     "Quem matar alguém será morto...se alguém causar defeito em seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará." (versos 17,19 e 20). Sempre que ouvimos a famosa máxima: "olho por olho, dente por dente", voltamos nosso olhar para a vingança. Sempre que falamos isto, é numa referência à violência. Mas esta atitude é um completo desconhecimento do significa a lei de talião. Esta lei visava, na verdade, promover leis que fossem compatíveis com a ofensa. Vocês se lembram o que aconteceu com Lameque lá em Gênesis 4 ? Ele matou um homem que havia lhe ferido e outro por que lhe pisou! Violência desproporcional ao mal causado. Era isto que a lei de talião queria evitar. Cada ofensa deveria ter uma pena à altura. O que matou um homem, deveria ser morto. Quem matasse o animal do próximo, deveria restituí-lo. Quem arrancasse um olho, deveria ter o seu arrancado. Proporcionalidade. Justiça!
     Deus é Deus justo e não admite que o homem queira ser "mais justo do que ele" aplicando punições severas demais em casos que não há necessidade. O objetivo de Deus em estabelecer estas leis, era para que não houvesse vingança pessoal, mas o cumprimento exato da justiça, expressa na lei de Deus. E esta justiça deveria ser exercida pelas autoridades (era uma justiça pública), e não pelo  ofendido.
     Que grande ensinamento para nós! Até o nosso senso de justiça é deturpado pelo pecado, pois se fosse-nos dado o poder de arbitrar sobre as faltas cometidas contra nós, certamente seríamos muito severos. Se ao contrário, nós tivéssemos que legislar sobre uma falta que nós cometemos...aí a pena seria leve! Devemos sempre amar e temer ao Senhor, que nos mostra aqui outro atributo impressionante: sua justiça!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

                               Levíticos 24:1 a 16

     O primeiro aspecto que me chamou atenção neste trecho foi a seriedade do castigo do pecado cometido pelo mestiço ( filho de uma israelita com um egípcio, jugo desigual!). Pena de morte por apedrejamento. Para uma pena tão severa, o pecado deveria ser gravíssimo. E era! Blasfemar e amaldiçoar o nome de Deus, vai diretamente contra o terceiro mandamento que diz:" Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão." Êxodo 20:7
     A pergunta 114 do Catecismo maior no diz que: " ...ele é o Senhor Nosso Deus, portanto seu Nome não deve ser profanado nem por forma alguma abusado por nós; especialmente porque ele estará tão longe de absolver e poupar os transgressores deste mandamento, que não os deixará escapar de seu justo juízo, embora muitos escapem das censuras e punições dos homens". O povo de Deus tinha acesso a ele através do seu nome, não de um ídolo, como os pagãos.Por isso, o nome de Deus deve ser reverenciado. Diante de tal gravidade, deveríamos nos perguntar se não temos falhado nesta área. Tudo bem, eu não blasfemo nem amaldiçoo o nome de Deus, mas que outras formas existem de tomar o seu santo nome em vão?
     Esse mandamento fala sobre usarmos o nome de Deus na falsa adoração e para jurar falsamente. Ele nos proíbe também de usar seu nome de maneira inadvertida (sem refletir), vã, irreverente, a má interpretação, aplicação ou qualquer perversão da Palavra, ou qualquer parte dela; as zombarias profanas, questões curiosas e sem proveito, vãs contendas. Portanto, devemos ter muito cuidado não só em usar o NOME de Deus em vão, mas em brincar com coisas santas, citar versículos Bíblicos em meio à brincadeiras, fazer piadas com qualquer coisa que se refira a Deus ou à sua santa Palavra! Deus nos livre de sermos profanos e brincar com as coisas sagradas! Qua a luz de sua Palavra nos atinja e modifique nosso modo de falar para que possamos honrá-lo com cada palavra que sair da nossa boca! Que elas sejam para a glória dele, e não para nosso juízo!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

                                      Levíticos 23


     Tantas festas prescritas por Deus ao seu povo tinham como objetivo fazer o povo refletir sobre a bondade de Deus. Algumas convocações coincidiam com as estações de colheita, lembrando a eles que era Deus quem lhes dava o sustento. Era também uma oportunidade de devolver a Deus parte do que Ele havia dado ao povo. Outras festas lembravam a história do povo, e os livramentos, o sustento e os milagres operados por Deus em favor de Israel.
     Estas festas, no total, duravam 67 dias por ano (alternados, claro!)e nestes dias o povo não deveria trabalhar. Deveriam se dedicar ao culto a Deus. A intenção de Deus nunca foi que as festas fossem rituais vazios e formais, os profetas sempre repreendiam o povo quanto a isso. Esta é a nossa tendência. Nos afastar do Senhor, não só não praticando as "festas solenes" instituídas para nós hoje. Quando o fazemos, fazemos por obrigação, hábito, ritual, costume... 
     Quando me refiro às nossas "festas solenes", me refiro a todos os meios ordinários que o Senhor nos proporcionou e ordenou para que, como os Israelitas no passado, estivéssemos mais perto dele! Nosso domingo, nossa devocional à sós em Leitura da Palavra e oração, o culto doméstico, a comunhão com os santos, a pregação da Palavra. Todos estes meios são usados para que Deus mantenha comunhão com seu povo e o instrua. Quando negligenciamos estas armas, nos colocamos em grande perigo. William Ross escreve sobre o assunto: "...provavelmente é mais difícil dar-lhe nosso tempo que dar-lhe qualquer outra coisa: roubamos-lhe o tempo de nossas devoções privadas, do culto  público, do serviço à humanidade." Não é de estranhar, pois a falta de santidade em nossas vidas.
     Este era o grande propósito de Deus com todas estas festas: a celebração e reunião de Deus com seu povo!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

                                     Levíticos 22


     Aqui mais uma vez é ensinado que do sacerdote se requer mais do que do povo. Este precisava se abster de coisas que eram permitidas ao povo em geral, mas que ele deveria renunciar. O padrão de santidade para o secerdote era mais elevado do que para o povo, e o objetivo era que ele fosse exemplo para o povo. Além disso,quanto mais perto de Deus, tanto mais sagrada a sua posição e tanto mais apartado do profano ele deveria estar. E para o sumo sacerdote as exigências eram ainda maiores do que para os sacerdotes. Na nova aliança as coisas não são diferentes. Exige-se de um ministro que ele esteja acima dos padrões do povo. " É necessário, portanto, que "o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sobre disciplina, com todo o respeito..." I Timóteo 3:2 a 4. Não que estas qualificações não precisem ser buscadas por todos os homens crentes. SIM, eles devem persegui-las, mas do ministro elas são exigidas. Sem estas qualificações todas, um homem jamais poderia ser levado à condução do povo de Deus.
     Um versículo que muito me chamou a atenção foi o 25 :" Também da mão do estrangeiro nenhum desses animais (com os defeitos citados no verso 24) oferecereis como pão do vosso Deus, porque são corrompidos pelo defeito que há neles; não serão aceitos a vosso favor." Somente os animais sem defeito poderiam ser sacrificados ao Senhor, pois só se poderia dar a Ele o que houvesse de melhor e porque a santidade do sacrifício era simbolizada por um corpo físico perfeito. Quando ele diz que o defeito do animal(cegueira, mutilação, sarna, impingen etc),por menor que seja, corrompe todo o animal, o mesmo ocorre com o nosso pecado. O mesmo "pequeno" pecado, corrompe todo o nosso ser, nos tornando inaceitáveis diante de Deus. Se porventura conseguissemos cumprir toda a lei e tropeçássemos em apenas um mandamento, já seríamos condenados. Da mesma forma que um pequeno defeito corrompia todo o animal e impedia que ele fosse sacrificado, apenas um pecado é suficiente para nos condenar. Por isso a necessidade da vinda do Messias, de um cordeiro sem mácula, que tirasse o pecado do povo de Deus!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

                               Levíticos 20 e 21


     Antes do êxodo, cada chefe de família desempenhava o papel de sacerdote familiar, mas os ritos e as observâncias exigidas, fez necessária a instituiçaõ de um sacerdócio dedicado totalmente ao culto divino. A vocação sacerdotal era passada de pai para filho. Os pais ensinavam a seus filhos sobre a complexidade dos ritos, e todas as coisas relacionadas ao culto e a forma que eles deveriam viver.
     Os levitas eram os ajudantes dos sacerdotes. Eles foram a tribo escolhida por causa do seu zelo espiritual e substituíam os primogênitos de cada família. Os levitas assistiam os sacerdotes em seus deveres, transportavam e cuidavam do tabernáculo.
     Para ser sacerdote exigia-se santidade. Era preciso que este homem não tivesse defeito físico,devia casar-se com uma mulher de caráter exemplar e não podia se contaminar com costumes pagãos nem tocar coisas imundas. A santidade divina exigia isso! Os sacerdotes tinham funções específicas:
     a) Servir de mediador entre Deus e o povo, interceder pelo povo e e expiar seus pecados através dos sacrifícios.
     b) Consultar a Deus para saber sua vontade em casos específicos.
     c) Ensinar ao povo as leis de Deus, interpretando-as.
     O sumo sacerdote era o mais importante de todos. Somente ele entrava uma vez por ano no lugar santíssimo para expiar o pecado do povo. Somente ele usava o peitoral com os nomes das tribos. Somente ele podia consultar o Senhor mediante o Urim e o Tumim
     Quando o véu do santuário foi rasgado de alto abaixo na morte de Jesus ( Mateus 27:51), nós nos tornamos sacerdotes diante de Deus: "...também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo." (I Pedro 2:5) E ainda: " Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus..." (I Pedro 2:9). Depois do sacrifício vicário de Cristo, nós mesmos podemos nos achegar a Deus e oferecer-lhe culto. Nós mesmos podemos pedir perdão por nossos pecados, nós podemos adorá-lo! E Cristo é chamado de o nosso eterno sumo sacerdote, pois entrou de uma vez por todas na presença do Pai para nos justificar! Que grande privilégio sermos chamados de sacerdotes na nova aliança! Que cada um de nós tenha vida digna de ser assim chamado!