quinta-feira, 30 de junho de 2011

                           Deuteronômio 28:15 a 68


     Que texto assustador! Existe nele um espelho das bênçãos descritas acima. Para cada bênção proposta, existe uma maldição, em caso de desobediência. No verso 23, por exemplo, ele fala em 'céus de bronze e terra de ferro', numa alusão à falta de chuva e solo propício para plantações, o que era devastador para um povo agrícola. Tratava-se da própria sobrevivência do povo. O texto cita também várias enfermidades, e algo muito significativo para aqueles povos: seus cadáveres seriam expostos, sem haver ninguém que lhes desse um sepultamento digno (verso 26). 
     O texto também expõe algo que era muito temido entre eles: o cerco dos inimigos, que provocaria fome por tempo prolongado, dando margem ao canibalismo. E a descrição é ainda mais terrível quando diz que as próprias mães, não só não poupariam seus filhos, mas também não dividiriam a carne deste com os outros filhos que lhe sobrassem (verso 57). Desespero completo!
     O texto também cita a dispersão do povo de Deus, que se cumpriria nos exílios assírio e babilônico e mais tarde, após a queda de Jerusalém, no ano 70 d.c.
     Diante de todas as terríveis maldições narradas neste trecho, o que mais impressiona é que o tempo todo é descrito um tremendo pavor de alma, uma incrível situação de abandono e vulnerabilidade, por estar longe de Deus:
     _ Os cadáveres expostos às aves, sem ter quem as espante (verso 26).
     _ Ninguém haverá que te salve (verso 29 e 31).
     _ A tua mão nada poderá fazer (verso32).
     _ Te enlouquecerás, pelo que vires com os teus olhos (verso 34).
     _ A planta do teu pé não terá repouso, porquanto ali o Senhor te dará coração tremente, olhos mortiços (sem brilho, desanimado, próximo a apagar-se) e desmaio de alma (medo, pavor) (verso 65).
     _ A tua vida estará suspensa como por um fio diante de ti; terás pavor de noite e de dia e não crerás na tua vida (verso 66).
     _ Isso pelo pavor que sentirás no coração e pelo espetáculo que terás diante dos olhos (vendo o julgamento de Deus sobre si) (verso67).
     _ Sereis oferecidos para venda como escravos, mas não haverá quem vos compre (verso 68).
     Todas as maldições são recheadas de sentimentos avassaladores de abandono, de desespero e terrores. Além dos males físicos, os male da alma atingiriam em cheio o povo que havia abraçado a aliança com o Deus de seus pais, e virado as costas para ele. E além de tudo isso, o verso 64 narra o pior de todos os castigos: ter mais pecados como punição pelo pecado! "Servirás ali a outros deuses que não conheceste, nem tu, nem teus pais; servirás à madeira e à pedra." Que terrível condição! Diante de todo o desespero e desventuras causadas pelo pecado, ter como castigo pecado sobre pecado.
     Que ressoe em nossos ouvidos a advertência contida nos versos 47 e 48: "Porquanto não serviste ao Senhor, teu Deus, com alegria e bondade de coração, não obstante a abundância de tudo. Assim, com fome, com sede, com nudez e com falta de tudo, servirás aos inimigos que o Senhor enviará contra ti..."

quarta-feira, 29 de junho de 2011

                           Deuteronômio 28:1 a 14


    Nestes primeiros 14 versos, Moisés deixa clara a promessa de bênção e prosperidade que aguardaria pelo povo, caso fossem obedientes a lei de Deus. O texto fala muito acerca de fruto. Ora, os hebreus eram um povo que vivia do que plantava e de seu gado. Então, se falar em 'fruto da terra e fruto dos animais', significava a própria sobrevivência deste povo. A promessa do Senhor para eles alcançava também seus lares. Quando ele fala: "Bendito o teu cesto e a tua amassadeira", ele está claramente dizendo que as suas atividades domésticas seriam abençoadas, tudo que se referisse à casa e à família estaria debaixo da bênção do Senhor!
     Quando Moisés fala que eles seriam benditos ao entrar e ao sair, ele quer deixar claro que a bênção do Senhor se estenderia a todas as áreas da vida daquele que guarda os mandamentos do Senhor. Sua bênção não estaria limitada a vitórias em guerra e ao suprimento de suas necessidades, mas em todos os aspectos que envolvesse a vida deles, haveria a bênção e Deus, caso fossem obedientes.
     Mesmo discorrendo sobre as bênçãos provenientes da obediência, Moisés não deixa de advertí-los. Quando ele diz: "O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo..." (verso1 2), "expressa a convicção de que as chuvas, tão crucial para a prosperidade agrícola de Israel, era um dom de Deus. Temos aqui uma advertência implícita contra as religiões cananéias de fertilidade que atribuíam a precipitação das chuvas ao deus pagão Baal." (Bíblia de Genebra). Que tamanha ingratidão seria atribuir a um deus pagão uma bênção que vinha das mãos do Senhor! Me fez lembrar de Gômer, a mulher infiel do profeta Oséias que o abandonou e foi viver com seus amantes. Ele, por amá-la demais e saber que seus amantes não tinham dinheiro para comprar as coisas que ela gostava, comprava e deixava para ela, que pensava que eram aqueles homens que a presenteavam. O objetivo era mostrar ao povo que, assim como Oséias continuava fiel àquela mulher adúltera, Deus continuava a abençoar seu povo, mesmo quando este se virava contra ele. Todas aquelas bênçãos que eles recebiam, vinham das mãos do Senhor , mas eles atribuíam a deuses pagãos. Todas as bênçãos vêm das mãos bondosas do Senhor. Nunca nos esqueçamos disso. Nunca pensemos que as bênçãos que recebemos vêm de nós mesmos, das nossas capacidades e conquistas. Isto também se constitui idolatria. Tirar a glória de Deus e atribuí-la a nós mesmos! E por que será que em meio a descrição de bênçãos decorrentes da obediência há esta advertência? Porque nossa tendência é sempre atribuir a outros, ao acaso ou a nós mesmos as  bênçãos que nos alcançam !


       

terça-feira, 28 de junho de 2011

                            Deuteronômio 27


     Moisés começa seu terceiro discurso ordenando ao povo que após a entrada na Terra prometida, eles deveriam fazer exatamente como estava sendo descrito: uma cerimônia de dedicação, juntamente com a publicação das leis e o amém da congregação.
     Muito me impressionou o comentário da Bíblia de Genebra que descreve os versos 15 a 26 como 'promessas de bênçãos e maldições'. Isto mesmo! Deus estava, através de Moisés, fazendo promessas de maldições ao povo. Caso eles não cumprissem a lei, deveriam esperar e ter a certeza que as maldições expostas viriam sobre eles! Tão certo quanto a bênção de Deus acompanharia a obediência, a maldição acompanharia o desprezo pela lei. 
     A lista de pecados descritos, que estariam sujeitos às maldições, não é longa, mas é significativa! Ela é, na verdade, exemplificação para todos os tipos de pecado. Note que cada um deles trata de um assunto específico, mas toca em vários outros. Mas a principal característica destes pecados é que não são pecados necessariamente públicos. São pecados que talvez sugerissem ao autor que ele não seria pego. Nos versos 15 e 24 isto é explicitado. Deus está deixando claro, que por mais que o povo tentasse pecar em oculto, de forma discreta a ponto de ninguém descobrir, DEUS era o vingador destes pecados também, e não apenas dos pecados públicos.
     Muitas vezes podemos nos sentir confortáveis pelo fato de nossos pecados estarem ocultos. Muitas vezes falamos, fazemos ou pensamos algo que, por não sermos descobertos e envergonhados, achamos que nos saímos bem. Muito pelo contrário! O fato de nossos pecados serem expostos e descobertos, é um claro sinal de que Deus quer nos corrigir, pois somos filhos. Os bastardos é que permanecem em seus pecados ocultos, sem que ninguém os incomodem, caminhando a passos largos para a destruição. 
     Que o Senhor nos dê a consciência de que nossos pecados não ficam impunes e que o temamos, não apenas por medo das maldições que certamente acompanharão o pecado, mas por amor ao seu santo nome!
    

segunda-feira, 27 de junho de 2011

                           Deuteronômio 26


     Este capítulo começa falando da importância de entregar as primícias ao Senhor. E quando eles fossem entregar os dízimos ao sacerdote, deveriam testificar os grandes feitos do Senhor! Os versos 5 a 10, resumidamente, traçam a história do povo desde a descida do Arameu (Jacó) para o Egito, a escravidão, os sofrimentos, a retirada do povo por mão forte do Senhor, a preservação e milagres no deserto até a derradeira chegada na Terra. Que pequeno e lindo resumo desta longa estrada.
     A orientação dada ao povo por Moisés, divinamente inspirado, nos ensina a contar as bênçãos. E quando eu falo em bênçãos, me refiro a tudo aquilo que passamos que nos nos fez chegar mais perto do Senhor. Eles foram advertidos a olhar para trás e lembrar de tudo que haviam passado durante todos aqueles anos. O objetivo era também contar aos mais novos as maravilhas de Deus, mas acima de tudo, fazer o povo se lembrar de como o Senhor os havia conduzido em meio às dificuldades e dores da jornada.
     Este é um exercício de fé. Reconhecer a mão poderosa de Deus em nosso passado, e saber que da mesma forma que ele foi nosso escudo e fortaleza naquelas ocasiões, assim ele o será, seja o que for que tivermos que enfrentar em nossa caminhada futura, rumo aos céus. Outro objetivo destas lembranças é despertar em nós um coração extremamente grato por tudo, eu disse TUDO, que o Senhor faz por nós, lembrando-nos sempre que o alvo final de todos os acontecimentos que nos cercam é a glória de Deus e salvação de nossa alma!


     

quarta-feira, 15 de junho de 2011

                            Deuteronômio 25


     Encontramos aqui, várias recomendações de cunho prático. Em todas elas, por mais diferentes que sejam entre si, a justiça de Deus é sempre exaltada:


     _ Quarenta açoites era o máximo que um homem poderia aguentar sem correr sério risco de morrer. Daí a lei judaica que determinava a 'quarentena de açoites menos um'. Por temor de se errar a contagem, dava-se sempre um a menos. Assim aconteceu com Paulo, em II Coríntios 11:24.


      _ No verso 4 Moisés instrui a que não se atasse a boca ao boi enquanto debulhava (debulhar: tirar da espiga os grãos do ceral). Enquanto o boi estivesse trabalhando, ele deveria ter o direito de comer. Eles precisava se alimentar. Esse princípio é usado por Paulo em I Coríntos 9:9 a 12 e em I Timóteo 5:18, defendendo que Deus aqui, não está se referindo unicamente a bois "acaso, é com bois que Deus se preocupa?", mas aos plantadores da semente santa do Evangelho. Nestes dois textos Paulo exorta a Igreja a sustentar seus pastores. "Se nós vos semeamos coisas espirituais, será muito colhermos de vós bens materiais?" (verso11).


    _ Logo depois vem a lei do levirato, que consistia no irmão solteiro se casar com a viúva daquele que não deixou descendência. O objetivo desta lei era, além de não deixar morrer o nome daquele que se foi, também manter os direitos de propriedade dentro da família do falecido.


     _ Em 13 a 16, fica claro o repúdio que Deus tem pela injustiça praticada contra o próximo. As medidas deveriam ser exatas, em momento algum o povo deveria usar de 'esperteza' para se beneficiar, prejudicando o outro.


     No capítulo todo, fica patente que Deus se importa com nossas ações do dia a dia, como temos visto largamente em Deuteronômio. Ele exige do povo que se chama pelo seu nome, que tenha atitudes parecidas com as suas. Atitudes de justiça! Nunca um povo que leva o nome de Deus sobre si pode se preocupar apenas consigo mesmo, não olhar a causa do outro e principalmente tomar atitudes que prejudiquem propositalmente o próximo. Todo tipo de injustiça é abominação diante de Deus, pois ele é essencialmente JUSTO!

terça-feira, 14 de junho de 2011

                            Deuteronômio 24


     Nos primeiros 4 versos vemos a palavra de Deus deixando ordens para restringir o pecado. Moisés já havia lavrado carta de divórcio, como Jesus mesmo disse em Mateus 19:8, por causa da dureza de coração do povo. Agora o povo queria, além de se divorciar e formar outra família, voltar para a primeira. A fim de pôr freios na promiscuidade, Moisés exorta ao povo a não cair neste pecado. Uma vez que um homem desse carta de divórcio a sua mulher, esta fosse e se casasse com outro homem, se este morresse ou a despedisse também, ela não poderia retornar ao primeiro marido, pois foi contaminada, seria abominação perante o Senhor.
     Este é mais um dos textos que nos ensina a seriedade do casamento. Somos apresentados pelo mundo a um padrão frouxo, onde as relações se desfazem e se refazem na mesma rapidez. Um marido, dois maridos, três maridos...A Bíblia chama isso de contaminação! Lembremo-nos do versículo que lemos quando falamos sobre o sétimo mandamento: "Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula, porque Deus julgará os adúlteros e impuros." Hb 13:4. A atitude descrita e reprovada neste capítulo, mancha algo puro criado pelo próprio Deus para sua glória e para nosso deleite. Sempre que pensarmos em casamento devemos ter em mente a seriedade dele. Uma vez, após os fariseus experimentarem Jesus com suas perguntas capciosas, e depois das explicações dadas por Jesus, os discípulos exclamaram: "Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar." Por favor, leiam o texto na íntegra (Mateus 19:3 a 10).O que eles estavam dizendo era que se um homem precisava viver com uma mulher a vida toda, sem lhe repudiar, e mesmo que fosse repudiado por ela, não poderia contrair novo casamento, então era melhor nunca casar! Eles sim, entenderam a seriedade do que Jesus estava dizendo: casamento é um só!  Ou em suas próprias e santas palavras: "De modo que já não são mais dois, porém, uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem." (verso 6)
     Se você ainda não se casou, ainda está em tempo de exclamar como os discípulos! Mas se tem certeza que deseja mesmo se casar, ou se já é casado lembre-se: Não tente separar o que Deus uniu. Não dê desculpas esfarrapadas para desobedecer solenemente a ordem dada por Deus. Permaneça em obediência, seja qual for a situação de seu casamento. Não somos chamados por Deus para sermos felizes, mas para sermos obedientes (pregação de domingo passado!). Desta obediência virá a paz! Quando eu dava aula de Escola Dominical para jovens sobre namoro e casamento, costumava dizer a eles: "Antes de casar, abra bem os olhos. Depois feche!" . Para isto serve o período de 'namoro'. Para conhecermos a fundo a pessoa com a qual pretendemos nos prender até que a morte leve um dos dois. Serve para vermos seus defeitos, para ter a certeza de que ele dificilmente vai mudar, e que eu preciso avaliar se estou disposto a conviver com suas falhas por toda uma vida. Depois de casado, só nos resta investir. Não há a possibilidade de desistir, só de lutar! O que vemos por aí no mundo de hoje é mais ou menos assim:  casa, descasa, casa de novo, casa com o mesmo, casa com outro. Tudo isso se constitui, como o texto diz em abominação e contaminação. Portanto, temamos ao Senhor de tal forma, que procuremos nos desviar deste tipo de pecado durante toda a nossa vida. Para a glória dele e para o nosso próprio bem.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

                           Deuteronômio 23


     Vemos neste capítulo, várias leis acerca da vida cotidiana do povo: os que não poderiam se chegar à assembléia solene, questões de higiene no acampamento, leis sobre como se deveria emprestar dinheiro ou outras coisas, como se deveria votar e a importância de se cumprir um voto. O que vemos aqui é Deus dando diretrizes a serem seguidas por seu povo nos mínimos detalhes.
     Por vezes os crentes acham que Deus está muito distante de nós e se preocupa apenas com a nossa vida "espiritual". Precisamos lembrar que TUDO é espiritual. Deus dá em sua palavra, direcionamento para todas as áreas da vida do homem. É através do cotidiano, aliás, que o homem demonstra se serve ou não ao Deus vivo. Em I Coríntios, depois de Paulo falar acerca de várias situações difíceis do dia a dia com as quais eles tinham que lidar, e do limite da liberdade cristã, ele conclui: "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus." I Coríntios 10:31. Também lá em I Timóteo, quando Paulo dá as qualificações para que os líderes da igreja fossem escolhidos, ele dá uma lista de atitudes bem práticas que eles deveriam apresentar. Não deveriam ser 'briguentos', deveriam viver bem em família, precisavam ser hospitaleiros...
     Precisamos nos lembrar que Deus é santo, e para que ele habite em nosso meio, precisamos buscar a santidade, não como algo místico, etéreo(celestial, platônico, sideral), mas com coisas bem práticas como o texto mostra. Coisas do dia a dia, que fazem distinção entre o povo de Deus, que leva seu nome, e os povos pagãos! Então, seja em coisas simples como comer e beber, ou em decisões importantíssimas da nossa vida, tenhamos sempre como alvo a glória de Deus!