terça-feira, 12 de julho de 2011

                         Deuteronômio 32


     "Após cruzar o mar Vermelho Moisés havia entoado um hino ao Senhor (Êxodo 15), e agora quando está prestes a concluir sua carreira compõe outro cântico de júbilo ao Senhor. Recebe este cântico o nome de "chuva de toda a profecia" porque conta o nascimento e a infância de Israel, sua integridade e apostasia, seu castigo e restauração. Por outro lado, o tema é o nome de Deus, sua terna solicitude por seu povo, sua misericórdia. O cântico e Moisés tinha muita importância, pois os cânticos nacionais se gravam profundamente na memória, e exercem poderosa influência para comover os sentimentos de um povo.
     Encontram-se algumas figuras retóricas de muito interesse neste cântico. Deus é designado como "Rocha" de Israel(versos 4, 18, 30 e 31), metáfora expressiva do poder e da estabilidade divina. Era o Refúgio e o Defensor de seu povo. Em tempos de ataque, as pessoas em perigo costumavam, às vezes, subir nas penhas de onde podiam defender-se mais facilmente; por isso se considerava a rocha lugar propício de refúgio.
     Moisés ilustra o cuidado carinhoso e extraordinário de Deus para com seu povo no deserto empregando três figuras poéticas: Israel é "a porção do Senhor" e a "sua herança"(verso 9). Isso indica que Deus preservou para si a Israel como herança especial. Guardou-o como um homem guarda a menina de seu olho, parte vital e muito delicada.Também compara o cuidado divino ao da solicitude da águia. Ensina seus filhotes a voar e intervém em caso de a jovem águia, em sua primeira tentativa, começar a cair ao solo. A mãe passa por baixo de seu filhote que cai e o leva sobre suas asas( verso 11).
     O termo jesurum ("o meu amado", verso 15) é uma expressão de carinho; significa "criança mimada" ou, possivelmente, "o justo". Contudo, jesurum seria como um animal engordado que, em vez de sentir gratidão e submeter-se ao seu generoso senhor, escoiceia. Assim Israel, visto profeticamente,  a despeito das grandes bênçãos que receberia do Senhor, voltar-lhe-ía as costas e se entregaria a idolatria."


Paul Hoff

segunda-feira, 11 de julho de 2011

                           Deuteronômio 31:14 a 29


     Deus legitima o chamado de Josué levando-o junto a Moisés para a tenda da congregação e aparecendo a eles numa coluna de nuvem. Assim, não restaria dúvidas ao povo de que Josué era o sucessor de Moisés, escolhido por Deus.
     Segue-se então um triste relato do futuro de Israel: " Disse o SENHOR a Moisés: Eis que estás para dormir com teus pais; e este povo se levantará, e se prostituirá, indo após deuses estranhos na terra para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a aliança que fiz com ele." (verso 16) e " porquanto conheço os desígnios que, hoje, estão formulando, antes que o introduza na terra que, sob juramento, prometi." (verso21). Deus conhecia profundamente o coração daquele povo, sabia o que eles pensavam e sentiam, mesmo que com seus lábios eles dissessem o contrário. De Deus eles não podiam esconder seus desígnios. Mesmo antes de entrar na Terra prometida, e ainda sendo vivo Moisés, seus corações já estavam desejosos pelo pecado. Moisés mesmo confirma isso quando diz lá no verso 27: " Porque conheço a tua rebeldia e a tua dura cerviz. Pois, se, vivendo eu, ainda hoje, convosco, sois rebeldes contra o SENHOR, quanto mais depois da minha morte?"
     O coração duro e rebelde do povo estava aguardando os benefícios que o Senhor faria, para depois tornarem-se contra Ele. O texto diz que Deus os introduziria na Terra, que eles comeriam, se fartariam, e engordariam e daí se esqueceriam do Senhor, indo adorar outros deuses. Uma triste descrição da mais alta traição e ingratidão. Esperariam ficar tudo bem, terem passado por aquele abrasador deserto e vencer seus inimigos, para então abandonar a Deus, certamente julgando que não precisariam mais dele. Talvez o tivessem como um deus utilitário, que serviria a eles para que alcançassem seus objetivos. Mas mal sabiam eles que Deus já conhecia a torpeza de seus corações e desde já decretou que estas atitudes se reverteriam em juízo contra eles: " Nesse dia, a minha ira se acenderá contra ele; desampará-lo-ei e dele esconderei o rosto, para que seja devorado;" (verso17). E qual o objetivo de Deus com isto? O próprio verso 17 termina explicando: "e tantos males e angústias o alcançarão, que dirá naquele dia: Não nos alcançaram estes males por não estar o nosso Deus no meio de nós?". Eles chegariam à conclusão de que Deus não estava mais no meio deles, e que eles necessitariam retornar ao Deus da aliança de seus pais.
     Quantas vezes não somos como o povo de Israel? Quantas vezes não ansiamos apenas as bênçãos que Deus nos proporciona? Quantas vezes nos mantemos perto o suficiente de Deus, apenas para não sermos contado como ímpios, mas na realidade estamos tão distantes que estamos esperando apenas uma oportunidade de bonança para nos desviarmos após outros deuses? Não nos enganemos! Se esta é a disposição do nosso coração, tenhamos a certeza que este momento chegará. Deus nos deixará gozando de todo o bem que ELE mesmo nos deu, e seguiremos enganando-nos a nós mesmos, amando secretamente outros deuses, cedendo aos seus encantos desejando seus finos manjares. Até o momento em que o Senhor se irar contra nós. E então, se formos filhos, seremos severamente chamados de volta, como aquele povo foi: por meio da dor, da escravidão, do desamparo. Que o Senhor mude o nosso coração, para jamais estarmos servindo a Ele por causa da segurança da salvação, por medo do inferno, por acharmos que é um 'bom negócio' para nós. Que tenhamos um amor imenso e o sirvamos de todo o coração. Que tenhamos a sabedoria de olhar tudo que os hebreus passaram, e aprendamos com eles. Que o Senhor abra nossos olhos, para que não sejamos achados fazendo o mesmo!



sexta-feira, 8 de julho de 2011

                           Deuteronômio 31:9 a 13


     Agora está sendo concluído o ministério de Moisés de guiar o povo à terra prometida e de entregar ao povo de Israel as Leis de Deus. E ele entrega ao povo toda a Lei por escrito, como registrado no verso 24 deste capítulo. No verso 26 a Lei já é chamada de livro, que deveria ser posta ao lado da arca da Aliança do Senhor. Durante toda nossa leitura passada, vimos que Moisés deixava registrada por escrito a Lei que recebia. Naquele tempo, a tradição oral era fortíssima, mas Deus se preocupou em preservar sua Lei por escrito, afinal, ela deveria atingir não apenas os descendentes daquele povo, mas toda a Terra! Se hoje temos a Palavra de Deus, com suas Leis e decretos registrados, devemos ser gratos a Ele, que providenciou esta bênção pra nós através de séculos. Ele mesmo providenciou  o registro e a preservação da sua Lei, que não deveria ser seguida apenas por Israel, mas por todo o Israel celestial, todos que tivessem seus corações circuncidados, todos os eleitos desde antes da fundação do mundo, todos os seus!
     E além de providenciar que a Lei fosse escrita, para a sua preservação, Moisés também estabelece a instrução do povo: " Ao fim de cada sete anos, precisamente no ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor, teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel..." (verso11). "Moisés providenciou a instrução regular do povo e dos seus filhos, na lei da aliança, pelo sacerdote, num período do ano em que o povo teve tempo amplo para aprender. A Festa dos Tabernáculos caía no outono e perdurava uma semana. Durante o ano sabático, a terra ficaria sem cultivo (o ano todo!) e o povo, dessa forma, não estaria sobrecarregado com deveres agrícolas." (Bíblia de Genebra). Tal como o ano sabático, o sábado (descanso) semanal, que é o nosso domingo, é estabelecido por Deus, como a pausa de todas as atividades cotidianas de ganhar o pão, para a dedicação exclusiva a aprender a sua Lei. Esta sempre foi uma prioridade imposta ao povo de Deus. 
     Tempo precisaria ser separado para que o sacerdote lesse a Lei para homens, mulheres, crianças e estrangeiros que estivessem com eles. Vemos aqui a preocupação de Moisés, em que toda a família da aliança estivesse reunida diante do sacerdote! Inclusive as crianças! Estas deveriam aprender desde cedo, não só naqueles momentos específicos, mas também em casa com seus pais, a ter reverência, e a ouvirem os decretos de Deus. Não tinha fantoches, não tinha flanelógrafo, nem musiquinhas especiais para ensinar as crianças a Lei de Deus. O sacerdote lia a Lei. Assim como Deus determinou que fosse feito, deveria ser observado. Tudo que você vir, que passe disso, é invenção da nossa época. Não houve a preocupação de instituir uma professora de crianças ou métodos criativos para chamar a atenção delas. O culto solene não abria espaço para isso. Muito menos se vê em momento algum da Bíblia, ou na história da Igreja, o sacerdote ou o pastor pedindo para que as crianças se retirem, saiam do ambiente de culto, deixem a instrução formal, dada por quem foi instituído por Deus, para desenhar ou ouvir historinhas lá atrás da Igreja. Quando fazemos isso, estamos privando nossos filhos do culto, da ministração, de uma ordenança de Deus! Precisamos sempre dar mais valor ao que Deus instituiu em sua Palavra, do que às invenções modernas, sabendo que, se estas invenções interferem na ordenação de Deus, prescrita em sua Palavra, disto prestaremos contas!   




     

quinta-feira, 7 de julho de 2011

                                Deuteronômio 31:1 a 8


     Nas orientações finais dadas ao povo por Moisés, percebemos a preocupação dele e do próprio Deus com o destino dos Hebreus. Moisés, já de idade avançada, começa a introduzir o novo líder diante do povo. Josué era este homem. Todo o restante do capítulo falará acerca do futuro, dos dias que se seguiriam.
     Antes de lermos estas disposições futuras, gostaria de chamar sua atenção para um detalhe explorado pela Bíblia de Genebra. Fez-se ali, uma breve cronologia da vida de Moisés, em como ele gastou seus anos, e como estes investimentos influenciaram o restante de seus dias. Eles começam explicando que Moisés "passou 40 anos em Midiã, cuidando de ovelhas.Esse tempo não foi gasto em vão, pois ele aprendeu sobre a geografia e o clima da península do Sinai, preparando-se para liderar os israelitas naquela área por outros quarenta anos. A humilhação de ter sido rebaixado de príncipe no Egito para um pastor de ovelhas também foi realizada pelo propósito disciplinador de Deus de preparar Moisés para seu papel maior como pastor do povo de Deus." Não é incrível percebermos que absolutamente tudo  que acontece em nossas vidas tem um propósito santo? Lembrei-me de José. Ele passou por tantas aflições, foi vendido a um povo estranho pelos próprios irmãos, privado da comunhão com seu pai, foi preso injustamente. Foram anos de sofrimento até que o grande propósito de tudo fosse revelado a ele! O que será que se passava em sua cabeça durante este período? Que tipos de questionamentos ele deveria se fazer? Assim Moisés, poderia achar que, em princípio, estes 40 anos gastos com criação de ovelhas, deveria ser um tempo perdido, onde não estaria conquistando nada para o reino de Deus. Mas conhecendo a Palavra de Deus como temos conhecido, fica claro que cada evento na vida de Moisés, por mais insignificante que pudesse parecer diante do todo, tinha um objetivo santo.
     Assim também acontece conosco. Tudo que passamos nos anos de vida que o Senhor nos dá, certamente são acontecimentos que nos servirão de alguma forma no futuro. Crendo assim, declaramos que cremos realmente na soberania de Deus. Nós estudamos isso na Escola dominical estes dias: mesmo quando pecamos, estes pecados e suas consequências são usados por Deus para não permitir que continuemos no pecado, ou para evitar que nos desviemos definitivamente dele! Até quando pecamos, nossa atitude má é usada por Deus para seu eternos decretos. Que maravilha sabermos disso! Que grande segurança saber que estamos sendo acompanhados tão de perto por nosso Senhor! Que bênção  saber que não há período infrutífero, anos desperdiçados ou atividades 'seculares' (como cuidar de ovelhas ou lavar uma louça), que não esteja sendo divinamente instrutiva para nós, nosso futuro e para as lutas que ainda teremos que enfrentar! O objetivo de Deus é tornar seus filhos fortes, forjar seu caráter através das situações mais corriqueiras que você possa imaginar! Portanto,não reclame do ônibus que você perdeu, da bronca injusta que levou, da inimizade de alguns à sua volta, do emprego que você perdeu, da doença, da morte de alguém que você ama, da chuva que está caindo ou do forte calor. Não reclame quando seus planos forem frustrados, quando tudo que tinha tudo para dar certo der errado! O Senhor detém o controle absoluto de todo o universo, e cada minuto gasto com cada ovelha que você precisará cuidar, ou cada humilhação que você vier a sofrer, creia, tem um propósito santo, que talvez nunca venhamos a descobrir! Por isso a base da nossa vida é a fé! Confiamos em nosso Deus! Não precisamos entender o porquê de estarmos passando pelo que estamos passando. Precisamos apenas agradecê-lo, crendo que Ele está providenciando o melhor para mim. É assim  que as Escrituras nos ensinam a crer e a viver!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

                           Deuteronômio 30


     Moisés passa agora a falar do arrependimento que precisaria ocorrer, pois ele previa a real possibilidade de julgamento e exílio de Israel (exílio é o estado de estar longe da própria casa (cidade ou nação) e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. Também pode-se utilizar as palavras, banimento, desterro). Só mediante arrependimento genuíno, viria restauração e bênção após o julgamento. Ele prevê que o povo seria lançado para outras nações, e sofreria por isso, provando da maldição descrita na Lei. 
     No verso 6 ele fala que o próprio Deus circuncidaria o coração deles. Quando Moisés diz isso ele está fazendo um claro contraste com aqueles do povo que tinham sim, sido circuncidados ao oitavo dia, faziam suas obrigações religiosas, participavam das festas solenes, cumpriam os calendários litúrgicos, mas seus corações estavam demasiadamente longe de tudo aquilo... Por isso aqui é dito que quem faria esta grande obra seria o Senhor! Somente Ele tem o poder de mudar a nossa alma, a nossa vontade, o rumo do nosso coração. Podemos estar fazendo tudo 'como manda o figurino', mas lá no fundo, bem no fundo, tão no fundo que só nós e Deus sabemos, estarmos muito longe dele! Moisés está falando de conversão, daquela obra sobrenatural que só o Espírito Santo de Deus pode realizar em nós. Daquela obra que não depende de nossos pais, de nossa igreja, de nosso pastor, e sequer de nós mesmos. É uma obra exclusiva de Deus: circuncidar o coração! 
     Por causa desta obra sobrenatural descrita no verso 6, é que Moisés declara nos versos de 11 a 14 que a Lei de Deus e seus mandamentos não são demasiadamente difíceis, nem estão longe demais de nós de forma que não possamos cumpri-los. Sim, sua Lei e seus mandamentos são impossíveis e estão à léguas de distância de um coração incircunciso. Mas vemos lá em Ezequiel, quando o povo já havia sido espalhado e se tornado cativo por causa de suas abominações, a promessa de que o próprio Deus daria a eles um coração de carne: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo, tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis." (Ezequiel 36:26 e 27). É como o Salmo 19 nos descreve a Lei de Deus: A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma, seus preceitos são retos, alegram o coração, seus juízos são verdadeiros e justos e mais desejáveis do que o ouro e são mais doces do que o mel. Mas quem é o homem que se sente assim diante da Lei de Deus? Somente aqueles que tiveram seus corações circuncidados e seus corações de pedra substituídos divinamente por corações de carne!
     Talvez este seja um bom momento para olharmos para dentro de nós. Como você e eu temos encarado as exigências da Lei de Deus? Elas nos têm sido pesadas, difíceis de ser cumpridas, custosas e têm nos trazido desgosto? Ou ao contrário, mesmo que remando contra a maré dos nossos dias e contra a nossa própria vontade carnal, temos tido alegria e contentamento em fazer aquilo que o Senhor exige de nós? Nosso coração tem se regalado em sua Palavra, ou a leitura desta é apenas mais uma das obrigações diárias de crente? Temos nos alegrado em falar dos decretos de Deus, em nos reunir para ouvir a sua Palavra? Ansiamos pelo domingo? Nosso coração realmente está nas nossas práticas religiosas, ou temos cumprido todos os rituais esperados, mas nossa alma tem estado fria, e nosso coração não tem ardido como ardia o coração daqueles discípulos no caminho de Emaús, enquanto o Mestre lhes falava? (Lucas 24:30 a 32). Todas estas perguntas precisam ser feitas, para que não estejamos na mesma situação do povo de Israel descrita lá em Isaías 1:11 a 17, quando Deus diz que não aguenta mais seus cultos, suas ofertas, suas solenidades, suas festas. E por que Ele diz isso, se Ele mesmo havia instituído tais práticas? Porque o povo fazia tudo aquilo, mas seus corações estavam longe do Senhor. Suas vidas não condiziam com a fé que professavam com os lábios. Que Deus tenha misericórdia de nós, e soberanamente circuncide nossos corações, para amarmos cada dia mais a sua Lei!

terça-feira, 5 de julho de 2011

                          Deuteronômio 29:16 a 29


     No verso 12, Moisés convoca o povo a entrar em aliança com Deus, ele está propondo uma renovação da aliança do Sinai. A aliança era a mesma, mas o povo já era outro. Todo o povo que assistiu os grandes acontecimentos do Sinai, já havia morrido. Os que estavam vivos agora, embora talvez tivessem assistido, não tomaram parte. Agora era hora deles mesmos firmarem a aliança que seus pais fizeram. Como nós, quando somos criados no Evangelho, conhecemos as verdades e em algum momento, tocados pelo Santo Espírito de Deus, reafirmamos diante de todo o povo de Deus, a aliança que um dia nossos pais fizeram por nós no batismo. Neste solene momento, nós reafirmamos que, sim, também cremos como nossos pais e também queremos viver o Evangelho e assumir as responsabilidades que ele nos impõe!
     A partir do verso 16, Moisés adverte-os, que embora eles tivessem passado pelo meio de vários povos pagãos, convivido com eles, visto sua idolatria e suas abominações, eles não poderiam se contaminar. Eles não deveriam abandonar o Senhor e se curvar as deuses desses povos. No verso 19, porém, ele descreve uma situação que é a mais terrível de todas: Alguém que ouviu toda a descrição da Lei, suas bênçãos e suas maldições, mas resolveu se fazer de desentendido!  Resolveu achar que não era bem assim. Que poderia enganar o próprio coração, e que assim estaria enganando a Deus também. Alguém que por não achar que estivesse pecando, convencesse o seu próprio coração de que as coisas de fato, não eram bem assim, como descritas na Lei! Tamanha loucura! "...ninguém que, ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu íntimo, dizendo: Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar a sede à bebedice. O Senhor não lhe quererá perdoar; antes, fumegará a ira do Senhor e o seu zelo sobre tal homem, e toda a maldição descrita neste livro jazerá sobre ele; o Senhor lhe apagará o nome de debaixo do céu..."
     O texto continua com uma série de terríveis consequencias que se seguiriam, e no verso 24, diz que as outras nações perguntariam porque o Senhor fizera assim com aquela terra, e qual seria a causa do furor de tamanha ira. A resposta seria uma só: eles desprezaram a aliança que foi feita com seus pais e serviram a outros deuses. Eles conheciam a aliança, conheciam as Leis, a bênção e a maldição decorrentes da lei, mas não temeram. Fizeram de conta que não era com eles. Mentiram a seus próprios corações, convencendo-se que poderiam viver da maneira que quisessem, se abençoando, como se não houvesse um Deus para julgar tal decisão! "Terei paz, ainda que na perversidade do meu coração"! Esta pequena frase já demonstra que eles adoravam outro deus, que o que o Senhor dizia, não valia nada para eles. Eles inventaram a sua própria religião, se abençoaram e proferiram a bênção sobre si mesmos, por andar nos caminhos que eles mesmos instituíram. Se sentiam deuses! E o mais terrível de tudo é que muito provavelmente seus corações corruptos realmente acreditaram que eles estavam em paz! Que terrível loucura abandonar a Lei de Deus para seguir nossos próprios pensamentos e filosofias, dar um jeitinho na Lei de Deus para adaptá-la ao nosso interesse e achar que sairemos impunes!
      O verso 29 termina o capítulo, com uma preocupação de Moisés. Quando ele diz que as coisas encobertas pertencem ao Senhor, provavelmente ele se refere ao futuro incerto de Israel. Sugere que Moisés tenha se lembrado de como o povo se desviou do Senhor em Horebe, servindo àquele bezerro de ouro, de como era inconstante o coração do povo. "Nessa incerteza, Moisés entregou o futuro incerto nas mãos de seu Deus fidedigno." (Bíblia de Genebra). Esta parte se referia às coisas encobertas, que pertenciam ao Senhor. As reveladas, as que estão acontecendo agora, pertencem aos filhos dos homens, eles deveriam obrigatoriamente seguir a lei revelada. Se continuariam assim no futuro...só Deus sabia. Daí nasce uma oração ardente por nós mesmos! Que o Senhor nos ajude a cumprir a sua Lei hoje, e tenha misericórdia de nós no futuro. Que não sejamos como Pedro, que quando Jesus diz que eles se escandalizariam (o negariam), Pedro pulou e foi o primeiro a afirmar: "Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!...Ainda que seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei." (Marcos 14:29 e 31) e a seguir, Pedro o nega contundentemente. Que o Senhor tenha compaixão de nós, e não nos permita confiar em nosso próprio coração, com suas falsas promessas de paz! Que Ele nos mantenha fiéis hoje, e tenha misericórdia de nós no futuro, para que nunca sigamos após outros deuses!
           

sexta-feira, 1 de julho de 2011

                           Deuteronômio 29:1 a 15


     Ao começar seu quarto discurso, Moisés, mais uma vez relembra os poderosos atos de Deus na retirada do povo do Egito e no percurso penosos pelo deserto. Daí por diante, Moisés insta a que o povo não se afaste do seu Deus e promete restauração, caso haja arrependimento.
    No verso 3, Moisés diz que os olhos do povo viram os sinais e grandes maravilhas que Deus fizera no meio deles, mas arremata no verso 4 com uma declaração aterradora: "porém o Senhor não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje." Não obstante eles estarem presentes e verem com seus próprios olhos as maravilhas de Deus, seus olhos não viram e seus ouvidos não ouviram, eles não entenderam com o coração. Deus os privou desta bênção! Isaías 29:10 também descreve esta situação nas seguintes palavras: "Porque o Senhor derramou sobre vós o espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos...". Paulo cita estas duas passagens (Deuteronômio e Isaías) lá em Romanos 10:8, descrevendo um padrão bíblico de atividade divina no endurecimento judicial dos corações, como explica a Bíblia de Genebra. Paulo diz que este padrão estava se repetindo em seus dias.
     É por isso que muitas vezes não entendemos o motivo pelo qual algumas pessoas não se dobram. Pregamos o Evangelho, expomos as verdades da Cruz, muitas vezes a pessoa convive anos dentro da mesma igreja, sem nunca mudarem de vida. Os meios de graça foram disponibilizados, mas seus ouvidos não foram divinamente abertos, nem as escamas de seus olhos foram tiradas. Esta é uma atribuição exclusiva do Espírito Santo de Deus!  O texto de Atos 13:48 deixa esta verdade bem clara. Paulo e Barnabé pregavam ousadamente, os gentios ouviam, "e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna. ". Algum texto pode ser mais explícito? Aos crentes cabe a anunciação do Evangelho, a pregação da verdade. Mas os olhos e ouvidos só serão abertos mediante ação poderosa e sobrenatural de Deus!