quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

                                    Números 7


     Com sincera devoção ao Senhor, os doze príncipes das doze tribos de Israel trouxeram ofertas espontâneas e generosas. Assim deram exemplo aos mais ricos do povo, para que aprendessem a sustentar a casa de Deus. As ofertas foram feitas ao ser ungido o altar, ao consagrar o tabernáculo e seus vasos.
     Podemos tirar duas rápidas e preciosas lições deste momento especial de ofertório:
     a) A Bíblia menciona detalhes dos donativos feitos, o que nos mostra que Deus nota, dá atenção, a todos os detalhes de nossa vida. Deus está particularmente interessado em cada parte dos serviços espirituais que prestamos a ele!
     b) Deus poderia sustentar milagrosamente o tabernáculo, os sacerdotes e os levitas. Ele poderia fazer aparecer do nada os carros de bois, os utensílios etc. Mas ele sempre quer usar seu povo como instrumento para abençoar. Ele pretende com isso tornar seus filhos desapegados das coisas materiais. Ele quer que entendamos que qualquer coisa que tenhamos nesta vida, não só nos foi dada por ele, como também não são nossas. Estão conosco para sermos canais de bênção para seu povo. A generosidade e o desapego são preciosas lições que o povo de Deus deve exercitar ao longo de sua caminhada!
     
     

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

                                    Números 6


     Nos primeiros 21 versos deste capítulo, vemos a descrição dos votos do nazireado. A palavra nazireu significa 'separado' ou 'consagrado'. Este era um voto que se fazia ao Senhor voluntariamente, salvo em casos especiais como o de Sansão. Este voto poderia ser feito por um tempo determinado, ou poderia ser um voto perpétuo, para toda a vida, como no caso de João Batista. O objetivo do voto do nazireu era viver em maior santidade, consagrando-se a Deus.
     Eram três as exigências que um nazireu deveria cumprir, e cada uma delas tinha o seu significado:
     a) O nazireu tinha que, no período do seu nazireado, se abster do vinho e de todo fruto da vide. A uva e o vinho eram considerados elementos que traziam alegria e prazer ao homem. Abstendo-se, o nazireu estava declarando que nada nesta vida poderia lhe proporcionar a alegria que a comunhão com Deus lhe dava. Além disso, ele, como o sacerdote, deveriam se afastar da bebida para estar em melhores condições, donos de suas atitudes, para melhor servirem a Deus.
     b) Os cabelos não deveriam ser cortados. Esta atitude servia para mostrar que  o nazireu não estava preocupado com adornos humanos, era também uma demonstração pública, para que todos pudessem ver, que aquele homem havia tomado o voto, e que consagrara sua vida a Deus. 
     c) Ele não poderia tocar um corpo morto, nem se a pessoa fosse da família, porque o nazireu era santo para o Senhor, assim como o sacerdote. Esta proibição era feita porque Deus queria ensinar ao seu povo que a morte deveria ser lembrada como a pena para o pecado e também era uma medida para se prevenir doenças no arraial. 
     Todas estas considerações sobre o voto do nazireado, me fazem pensar em que atitudes tomamos hoje, conscientemente, para nos santificarmos a Deus. Será que nos preocupamos em buscar nossa satisfação em Deus (a)? Será que temos uma marca distintiva dos demais (b), que quando olham pra nós, pela nossa aparência, nos distinguem dos demais? Minha preocupação excessiva com a aparência tem me feito dar maior importância ao que é visto pelos homens do que o que é visto por Deus? Tenho me aproximado demais e até ousado 'tocar' em coisas impuras(c)? Hoje não deixamos nosso cabelo crescer, nem deixamos de tomar vinho ou de vestir nossos mortos, mas que atitudes práticas temos tomado para nos diferenciarmos do mundo? Do que precisamos nos afastar ou nos abster para estarmos mais santos, mais perto de Deus?
     Assim como o povo levava sobre si o nome do Deus da aliança, quando aquela bênção sacerdotal era pronunciada, devemos vigiar, para sermos achados dignos de tomar este santo nome sobre nós!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

                                    Números 5

     Vemos aqui a lei referente a expulsão dos impuros de dentro do arraial do povo de Deus. O âmago destes versículos se encontra no finalzinho do terceiro: "...para que não contaminem o arraial, no meio do qual eu habito." Para preservar o povo das impurezas físicas e daquelas causadas pelo pecado, a lei era clara: lançar a pessoa para fora do arraial.
     Também no Novo Testamento, vemos exemplos claros de que Deus pretende conservar seu povo distante das influências dos que se dizem parte do povo de Deus, mas na verdade não o são. Em I Coríntios 5, vemos Paulo exortando aquela igreja a tomar providências severas no caso do rapaz que estava em adultério com sua própria madrasta, leiam o texto e vejam as semelhanças com a ordenança de Números: "Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultrage praticou?" Também em Mateus 18:15 a 20, Jesus ensina a lidar com o pecador impenitente (aquele que, mesmo advertido não se arrepende):"Se teu irmão pecar contra ti, vai arqüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano." Considerar alguém assim significa exatamente excluí-lo do corpo de Cristo. Paulo ainda fala em entregá-lo a Satanás, e sobre isso, Calvino argumenta:"Porque 'entregar a Satanás' é uma forma adequada de descrever a excomunhão; visto que, enquanto Cristo reina dentro de sua Igreja, Satanás reina fora dela...portanto, em virtude de sermos recebidos à comunhão da Igreja e de permanecermos nela na condição de que estamos sob a proteção e responsabilidade de Cristo, afirmo que a pessoa que é afastada da Igreja está, de certa forma, entregue ao poder de Satanás, porquanto se acha alienada e excluída do poder de Cristo."  
     No comentário sobre Mateus 18, a Bíblia de Genebra ressalta outro aspecto importante sobre o que significa considerar um pecador contumaz  como gentio e publicano."Tais indivíduos devem ser cortados da comunhão e suspensos das plenas relações sociais com outros irmãos." Esta medida nos remete de novo ao nosso texto de Números. Afastamento total! Não só para evitar a contaminação, mas para nos lembrar o tempo todo da seriedade do pecado, e como ele deve ser exemplarmente punido.
     Na seqüencia do texto de Números(11 a 30), vemos outro exemplo de que o pecado, mesmo que não houvesse sido presenciado por ninguém, deveria ser punido. Era o caso da suspeita de adultério. Na dúvida, o caso não deveria ser 'abafado', mas levado ao sacerdote para que a verdade viesse à tona. E o principal motivo de toda esta seriedade tanto no Novo, quanto no Antigo testamento é um só: Deus habita no meio do seu povo!         

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

                                     Números 3 e 4


     Primeiramente vemos no capítulo 3, Deus requerendo no lugar dos primogênitos, a consagração dos da tribo de Levi. Eles ficaram incumbidos de cuidar do tabernáculo, e do ministério nos aspectos externos, enquanto só os sacerdotes oficiavam o culto cerimonial. Os filhos de Levi eram três: Gérson, Coate e Merari. Estes descendentes formavam três divisões, e cada uma tinha uma tarefa específica. Seus deveres eram ajudar no transporte do tabernáculo quando o povo mudava o lugar de acampar no deserto, e formar guarda quando estivessem parados. Cada grupo era responsável pelo transporte de materiais específicos, designado pelo próprio Deus, numa demonstração clara da profunda reverência com que as coisas relacionadas ao culto deveriam ser manejadas.
     Da mesma forma, no Novo Testamento, Deus orienta a sua igreja a escolher líderes de acordo com os critérios da Escritura. Lemos em I Timóteo 3:1 a 13, as condições exigidas, não por nascimento, como os levitas, mas agora com qualificações específicas que estes homens tinham que demonstrar como forma de confirmar o chamado de Deus para exercer o ministério. Note que um homem quando vai para o seminário, por exemplo, já deve demonstrar todas aquelas características. Eles não devem desenvolvê-las com o tempo de ministério! São condições para ingressar no sagrado ministério.
     Neste texto vemos também, como em Números, a divisão do trabalho na casa de Deus, vemos o próprio Deus organizando a sua Igreja. Os pastores e presbíteros no encargo da ministração da Palavra, do ensino e do pastoreio, os diáconos cuidando da parte da assistência aos mais pobres da igreja. Tudo instituído por Deus para o bom andamento da igreja, da forma que ele mesmo determinou que fosse. Fugir a estes padrões escriturísticos é incorrer em grande erro!


       

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

                                     Números 2


     Vemos aqui a divisão e localização das tribos no acampamento dos Israelitas. A tenda da congregação ficava no meio, e nela os levitas. Eles foram organizados em quatro acampamentos com três tribos em cada acampamento. Cada acampamento tinha uma tribo que os conduzia, e Judá conduzia todas. Durante as marchas pelo deserto, as tribos deveriam seguir umas às outras na mesma ordem que Deus determinara.
     A posição de liderança de Judá devia-se ao fato de ser a maior tribo, com 74.600 homens. Era uma organização militar, cada tribo tinha sua posição no acampamento e tinha seu comandante, designado diretamente por Deus. O próprio Deus era o chefe supremo deste exército e estava literalmente no meio dele! Ele mesmo dirigia os movimentos do povo através da nuvem, o que leremos mais tarde.
     Tudo isto tinha um plano! A chegada do povo à terra prometida, para que ali fosse cumprida a promessa que Deus fizera a Abraão em Gênesis 13:14 a 16, "Ergue os olhos e olha de onde estás para o norte, para o sul,para o oriente e para o ocidente; porque todas essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência." A conquista da terra de Canaã estava diretamente ligada à promessa da redenção! Ali era o lugar prometido, para onde o povo deveria se dirigir, através de muitas guerras e lutas, e mortes, a fim de fixar o povo seria a linhagem do Redentor, do Messias prometido!
      Dá para vermos a semelhança desta caminhada com a nossa! Como eles, somos um povo rebelde e contumaz, caminhando como peregrinos, numa terra estranha, rumo à Canaã celestial. E é por meio de várias lutas, que nos importa chegar à esta prometida Cidade. Mas é Deus mesmo quem está em nosso meio, nos guiando por seu decreto eterno, nos preparando através de suas ordens diretas, para as guerras que teremos que enfrentar, para finalmente chegarmos à terra que mana leite e mel! Que analogia maravilhosa, que deve encher o nosso coração de esperança e alegria. Pois assim como Deus levou os Hebreus à bom termo, fazendo-os chegar em segurança ao seu destino final, assim também nós, apesar das provações e testes que passamos neste mundo, da luta, muitas vezes sangrenta que travamos com nosso inimigo e conosco mesmo, temos a garantia que habitaremos seguros!  "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe...então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." Apocalipse 21:1, 3 e 4

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

                                      Números 1

        Os relatos que encontramos em Números também foram escritos por Moisés. Os acontecimentos descritos aqui ocorrem 13 meses após a saída do povo do Egito. Eles passaram quase um ano no Sinai, onde receberam a lei, construiram o tabernáculo e agora estavam prontos para marchar pelo deserto rumo à terra prometida. Aliás, o nome deste livro no original hebraico significa "no deserto". Números é uma versão grega por causa dos dois censos realizados, o primeiro assim que o povo começa sua marcha, e o segundo ao chegar à terra prometida.
     Segundo Paul Hoff, " Numeros é um dos livros mais humanos e tristes da Bíblia. Mostra como os hebreus fracassaram em cumprir os ideais que Deus lhes havia proposto...perderam a pequena fé que haviam tido e quiseram voltar ao Egito. Daí começaram suas peregrinações que duraram trinta e oito anos. Não obstante, Números relata detalhadamente só a história do primeiro e do último ano, pois nos anos intermediários de apostasia nada aconteceu de valor religioso permanente. É uma história trágica de falta de fé, de queixas, murmurações, deslealdade e rebelião. Como consequencia, quase toda a geração que havia presenciado as maravilhas do livramento do Egito pereceu no deserto sem entrar na terra prometida. Somente três homens, Moisés, Josué e Calebe, sobreviveram até ao fim do relato do livro. E somente dois dos três, Josué e Calebe, entraram em Canaã."
     Se vocês somaram, vão perceber que o número de homens de 20 anos para cima era de 603.550, sem contar os da tribo de Levi, mulheres e crianças. Era uma imensa multidão, por isso era necessário estabelecer leis e ordem e organizar as tribos. Este foi o objetivo do censo neste primeiro capítulo. Israel estava se dirigindo para tomar a terra de Canaã e precisava arrolar os homens e prepará-los para a guerra. A tribo de Levi era isenta do serviço militar obrigatório. Eles deveriam cuidar das coisas sagradas do santuário, e eram a guarda especial do Tabernáculo.
     Através da leitura deste livro sagrado, vamos aprender como Deus supria as necessidades do seu povo e os livrava dos seus inimigos, apesar das queixas e murmurações, da falta de fé e da ingratidão de Israel.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

                                     Levíticos 27


     Ao findar o livro de Levíticos, ficamos com as últimas recomendações e desta vez em relação aos votos feitos a Deus. Estes votos eram feitos em gratidão a Deus por alguma bênção recebida, por terem sido libertos de algum mal, ou em momentos de grande aperto.
     Tudo o que se oferecia ao Senhor num momento de devoção religiosa, pertencia a ele. Não era obrigatório fazer votos ao Senhor, mas uma vez feito, era necessário cumpri-lo.
     Além daqueles que votavam e não cumpriam, existiam também aqueles que empobreciam a sua família consagrando a Deus tudo que possuíam, deixando-os desamparados. É o que o texto de Marcos 7:11 e 12 diz quando Jesus condena os homens que diziam: corbã (oferta ao Senhor), e se isentavam de cuidar dos pais. Eles usavam o dinheiro que eles achavam que seria o montante para cuidar dos pais na velhice e ofereciam ao Senhor e mandava seus pais embora, achando-se desobrigados de cuidar deles. Ou seja, ao invés de pagar ao Senhor o prometido, e gastar outro tanto cuidando dos pais, eles colocavam a palavra corbã em ação e deixavam a família desamparada. Que ganância tão grande guardamos em nossos corações. Queremos agradar ao Senhor, mas nem tanto! Queremos cuidar de nossos pais ou cumprir nossas obrigações cristãs, mas se for possível fazer só uma das coisas e nos poupar de outra, saímos no "lucro".
     O ensino que nos salta aos olhos é que o Senhor não é como nós. Muitas vezes somos levianos. Dizemos que faremos o que sabemos que não temos condições de fazer. Nos comprometemos com pessoas que já sabemos que não poderemos ajudar. Empenhamos nossa palavra com algo que não estamos nada dispostos a cumprir, mas para não magoar alguém, ou para não frustrar espectativas dizemos que iremos sim, que faremos sim, mas lá no fundo, sabemos que não iremos, que não faremos. Mentimos sem perceber. Lembremo-nos sempre que Deus requer a verdade de nós. Sejamos verdadeiros quanto às nossas intenções também, façamos disto uma prática diária. Não podemos pensar uma coisa, prometer outra e ao fim, fazermos outra. Nosso sim tem que corresponder à um sim. Nosso não tem que corresponder à um não. Isto se aplica à nossa vida com o nosso próximo e à nossa vida com Deus. Estejamos atentos àquilo que votamos e prometemos!