terça-feira, 31 de maio de 2011

                                   Deuteronômio 19


     Este capítulo começa repetindo a lei do homicídio não intencional, a qual explicamos quando lemos Êxodo 35. Também reafirma a severidade da lei no que se refere aos homicídios  deliberadamente tramados e seu castigo.
     A partir do verso 14, Moisés exorta o povo a não mudar os marcos antigos, a não fraudar as delimitações de terras que haviam sido feitas por seus pais. Em todo o tempo, percebe-se a grande preocupação com a justiça, com a verdade. Não poderia ser aceita, por exemplo, uma denúncia contra alguém, se não houvesse duas ou três testemunhas para o caso. Uma testemunha apenas não era suficiente para se aceitar denúncia contra alguém. E mais: quando se levantasse testemunha falsa contra alguém, e este fosse pego em sua mentira, deveria ser punido com a mesma pena que havia clamado para aquele a quem acusara. "...para que os que ficarem o ouçam, e temam, e nunca mais tornem a fazer semelhante mal no meio de ti." (verso20). Deus odeia a mentira e a injustiça! Aliás, um texto que sempre me chamou muito a atenção é o de Provérbios 6:16 a 19: "Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contenda entre os irmãos." É uma lista a ser analisada e decorada por nós, para fugirmos destes pecados. Note que está sempre em voga a injustiça praticada contra o próximo. Deus mesmo é o vingador destas causas. Por isso o justo, quando difamado, deve sempre esperar no Senhor. Precisamos também ser criteriosos, e temer acusar alguém injustamente.
     O capítulo finaliza com um dos mais mal interpretados versos da Bíblia: "...vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé." Mas sobre isso falaremos mais demoradamente amanhã, tendo sempre em mente que Deus é Deus Justíssimo!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

                                   Deuteronômio 18


     Já vimos nos capítulos anteriores, várias exortações ao povo para que não se misturassem aos povos que eles encontrariam nas imediações de Canaã. Aqui, especificamente, o alerta é para as práticas religiosas. Eles deveriam se guardar para que o culto prescrito por Deus, não fosse contaminado com práticas estranhas usadas por aqueles povos pagãos. O caráter abominável destas práticas é descrito como a causa da destruição destes povos: "...e por estas abominações o Senhor, teu Deus, os lança de diante de ti." (verso12). Moisés estava preparando o povo para a sua partida e para a chegada de outros profetas, através dos quais Deus comunicaria sua palavra ao povo. "Mas nenhum deles seria o mediador inicial de uma aliança e nenhum deles teria intimidade com Deus como tinha Moisés e nem receberia revelações divinas tão claras como aquelas que lhe foram dadas. Esta passagem, pois, encontra cumprimento final no profeta que é igual, ou na verdade, maior do que o profeta Moisés- Jesus Cristo. À semelhança de Moisés, Cristo foi o mediador de uma aliança entre Deus e o seu povo." (Bíblia de Genebra)
     Como vários profetas surgiriam no meio do povo de Deus dali para frente, Moisés os instrui a discernir entre o profeta verdadeiro e o falso. O primeiro aspecto que deveria ser observado está no verso 20: "Porém o profeta que presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe mandei falar, ou que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto." Moisés ensina ao povo que se algum profeta se levantasse pregando algo diferente daquilo que fora estabelecido por Deus, pregando uma doutrina que destoasse daquilo que fora ordenado ou que levasse o povo ao erro, incitando-os a adorar outros deuses, o povo não deveria teme-lo, nem respeitá-lo. Pelo contrário, este deveria ser eliminado do meio do povo. O segundo ponto de confronto deveria ser o cumprimento da profecia dita. Se esta não se cumprisse, ficaria patente que aquele era um falso profeta.
     Da mesma forma hoje, precisamos estar com nossos olhos e ouvidos atentos. Devemos considerar como verdadeiros profetas (mensageiro, boca de Deus), apenas aqueles pastores que nos ensinam verdadeiramente a Palavra de Deus. Quando estes pregam doutrinas que divergem da Palavra estabelecida por Deus como regra de fé e prática, devem ser considerados desqualificados como "boca de Deus". Se estes, ao invés de levarem seus rebanhos para mais perto do conhecimento de Deus, os afasta da verdade, devem sim, ser considerados falsos profetas. 
     O verdadeiro profeta tem que ser testado também por sua vida íntegra e por todas aquelas qualificações que encontramos em I Timóteo 3:2 a 5 : "irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da Igreja de Deus?" E além desta prova de vida santa, ele precisa dar provas de integridade teológica. Me lembro da pregação de ontem em I Timóteo 1:3 a 11, quando Paulo adverte a Igreja contra aqueles falsos profetas que ali surgiam, "...pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem...".
     Precisamos estar atentos nestes últimos dias. A própria Palavra nos adverte que surgiriam falsos profetas saídos do nosso meio, para enganar, se possível, os próprios eleitos. Nosso crivo deve ser a Bíblia. Tudo que for dito, deve estar fundamentado nas Escrituras. Devemos ter sempre em mente as palavras do apóstolo Paulo:"...ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema." Gálatas 1:8. Não nos impressionemos com palavras bonitas, pregadores carismáticos, persuasivos, bons oradores. Não coloquemos nossos olhos na sua performance, nem no terno alinhado que veste. Ouçamos o que eles dizem, e analisemos à luz do Evangelho. Olhemos sua vida prática diária e vejamos se está de acordo com o que foi determinado por Deus. Só assim poderemos estar tranqüilos, sendo guiados por pastores comissionados pelo dono do Grande Rebanho, interessados não em receber honras, elogios, bens. Mas preocupados com a alma eterna daqueles que o Pai confiou em suas mãos. Oremos para que o Senhor levante homens assim nestes dias tão maus e corruptos! Necessitamos que Deus tenha misericórdia de nós, colocando homens santos à frente de sua Igreja!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

                                 Deuteronômio 17: 1 a 7 e 14 a 20


     Mais uma vez é ensinado ao povo o valor de  separar-se, de se manter incontaminado, distante da idolatria e das abominações dos povos ao redor. E isto era feito de forma prática. Não era um simples desejo ou um ideal utópico, mas era através de atitudes do dia a dia que a santidade de Deus seria vista entre seu povo.
     A questão da idolatria e da pena que ela desencadearia é mais uma vez exposta. Deus pretendia cortar o mal pela raíz! E continua a partir do verso 14 dando instruções para a futura escolha de um Rei. Deus sabia que uma autoridade que o amasse e temesse, levaria o povo ao mesmo caminho. O contrário também era verdade! Foi estabelecido que o Rei a ser escolhido deveria ser um dentre eles, do meio do próprio povo. Deveria ser um homem escolhido pelo próprio Deus, que não tivesse seu coração posto nas riquezas, nem nas mulheres, para que seu coração não se desviasse. E o mais importante: ele deveria fazer uma transcrição do livro da Lei para si: "E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir." (verso 19). O líder maior do povo deveria estar submisso ao Senhor e a sua lei. Isto os protegeria, os preservaria.
     Da mesma maneira devemos nós nos afastar da idolatria e da podridão do mundo através da santificação. Nos manter longe da idolatria e dos idólatras e mais perto da Palavra de Deus é a única forma de permanecermos de pé. Ainda ontem conversávamos sobre isso aqui em casa, durante o culto doméstico. O mundo anda a passos largos para o fim. O pecado se multiplica, chamam de certo o que é errado, e de bom o que é mau. Por todos os lados nos cercam filosofias mundanas, conceitos pagãos, costumes antibíblicos, imoralidade, corrupção, mentira, falta de afeição natural, maldade. Como sairemos ilesos? Como continuaremos propagando a semente santa do Evangelho? Como preservaremos nossos filhos e netos? Como permaneceremos santos em meio a tanto pecado? Esta indagação também estava na mente do salmista quando ele escreveu: "De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?" e a resposta é a mesma instrução que foi dada para aquele futuro rei de Israel: "observando-o segundo a tua palavra." (Salmos 119:9). O mandamento contido neste verso, nos incita a observar cada caminho nosso, cada pensamento, cada palavra, cada olhar, cada atitude pelos padrões da santa palavra de Deus! Esta é a única forma de ficarmos firmes. Como diz a seqüência de Deuteronômio 17:19 "terá o livro da lei consigo...lerá...para que aprenda...a fim de guardar e para os cumprir". Esta é a nossa única esperança. Precisamos usar os meios de graça que o Senhor disponibilizou para nosso abastecimento e fortalecimento: nossa devocional diária, o culto doméstico, leitura de bons livros, o culto e a pregação pura da Palavra, a comunhão com os santos. Só assim, e contando sempre com a graça de Cristo, poderemos permanecer fiéis. 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

                                   Deuteronômio 16:18 a 22 e 17:8 a 13


     O  Senhor queria que a justiça reinasse entre seu povo. Para isto, convocou o povo a constituir sobre si juízes e oficiais, para que julgassem suas causas. A advertência é para que estes fossem retos em seus juízos, que não aceitassem suborno e não fizessem acepção de pessoas. Os magistrados deveriam ser representantes de Deus na sociedade. Assim como o marido representa a autoridade de Deus na vida da mulher, o pai na vida dos filhos, o pastor na igreja, assim os juízes e os sacerdotes também representavam a liderança do próprio Deus sobre seu povo. Estes eram seus representantes, para conduzir o povo em caminhos retos.
     Era exigido destas autoridades que procurassem exercer suas funções debaixo de um atributo muito forte de Deus: a sua justiça. E estes homens deveriam ser reconhecidos pelo povo como autoridade vinda de Deus. Aqueles que não ouvissem e cumprissem a sentença estabelecida pelo sacerdote ou pelo juiz deveria ser morto (verso12). O objetivo era que o povo não se ensoberbecesse, achando que seu julgamento, que sua opinião, que seu julgamento sobre esta ou aquela questão, era melhor do que o juízo daquelas pessoas instituídas por Deus para aquela função.
     Precisamos lançar sempre a luz da Palavra de Deus sobre nosso senso de justiça. Precisamos pedir a Deus que nos dê este seu atributo, não deixando que sejamos tendenciosos, mas que sempre  estejamos do lado daquilo que for reto, puro e justo aos olhos de Deus. Deus odeia a injustiça! Precisamos também aprender a reconhecer a autoridade das pessoas que Deus colocou sobre nós e não nos rebelarmos contra elas, sabendo que por traz destas, está a autoridade e o juízo de Deus! 

terça-feira, 24 de maio de 2011

                                   Deuteronômio 16: 1 a 17


     Temos aqui a repetição da descrição das principais festas que deveriam ser observadas pelos hebreus. Estas festas eram, sobretudo um memorial. Um momento de relembrar o que Deus havia feito por seu povo. Era uma maneira de guardar viva na memória os poderosos feitos de Deus em benefício deles. também era uma oportunidade de sacrificar, ofertar ao Senhor, num momento de profunda gratidão!
     Hoje também somos convocados por Deus a recordar seus feitos por nós e a ofertar as primícias do que, dele mesmo, temos recebidos.Não mais comemoramos a páscoa matando um animal, ou comendo pães asmos (sem fermento), mas celebramos a santa ceia que é um memorial da nossa redenção: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim... Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha." I Coríntios 11:24 e 26 
     Deus nos convoca, tanto no novo quanto no antigo testamento, a nos lembrarmos das coisas que ele fez por nós. No verso 3 do texto de hoje, ele instrui claramente o povo: "...para que te lembres, todos os dias da tua vida, do dia em que saíste da terra do Egito." A lembrança da escravidão e dos tormentos passados no Egito deveriam estar sempre presentes na memória do povo. Não pelo sofrimento que eles passaram apenas, mas principalmente para que se lembrassem todos os dias que a mão forte do Senhor os livrara daquele cativeiro. Isto deveria servir também de esperança em outros momentos difíceis pelos quais eles deveriam passar. Olhar para traz e ver o livramento de Deus em nossa vida, sempre alimenta nossa fé e nos faz descansar naquele que já fez tanto por nós, e que certamente continuará fazendo!
     

segunda-feira, 23 de maio de 2011

                           Deuteronômio 15


     Que belo texto temos aqui! O Senhor ensina seu povo o motivo pelo qual Ele mesmo concede riquezas. O Senhor ensina a seu povo a não viver em função do que possuem, mas usar o que possuem para acudir ao necessitado. O objetivo era que não houvessem necessitados entre o povo. Não que não houvesse pobreza, esta sempre existiu e sempre existirá, mas havia o imperativo de que os mais abastados acudissem os mais pobres e assim não houvesse quem padecesse fome!
     O Senhor exorta ao povo a que abra seu coração e não considerem o dinheiro e os bens que possuem como algo seu, para seu uso e uso exclusivo de sua família. Deus está ensinando ao povo a ver os bens como algo dado por Deus, justamente para suprir suas próprias necessidades e a dos outros. Os bens não são um fim em si mesmo, mas um instrumento de Deus para abençoar, não só aquele que recebe, mas também aquele que ajuda, demonstrando assim seu amor ao próximo e sua obediência a Deus. Realmente não sei quem é mais abençoado, se o que recebe ou se aquele que vence o egoísmo e dá!
      Em vários momentos o capítulo adverte o povo para que tenha um coração generoso: "Quando entre ti houver algum pobre, de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na terra que o SENHOR teu Deus te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre..." e também: "Livremente lhe darás, e que o teu coração não seja maligno, quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o SENHOR teu Deus em toda a tua obra, e em tudo o que puseres a tua mão." 
     É impressionante vermos como Deus, que é tão grandioso, tão poderoso, o grande Rei de toda a terra, se preocupa com os mais pobres, com o direito do órfão e da viúva, com os estrangeiros... Deus é justo e faz questão de ensinar seu povo a ser assim também! Que o Senhor nos ajude a olhar o próximo com seus ternos olhares de misericórdia, e nos ensine que tudo aquilo que ele nos deu tem apenas um objetivo: Glorificá-lo! 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

                           Deuteronômio 14


     Temos aqui a repetição das ordenanças quanto a dieta do povo. Que tipos de animais eram considerados limpos e quais eram imundos, e portanto não deveriam comidos.
     A seguir o texto relata a forma que o povo deveria tratar os dízimos, assunto também exposto e explicado em Levíticos 27:30 a 34. Gostaria apenas de ressaltar o comentário da Bíblia de Genebra no que diz respeito a comer as ofertas perante o Senhor: "Os dízimos deveriam ser levados ao santuário, onde os adoradores deviam comer uma porção em feliz comunhão com os sacerdotes, com os levitas e com os pobres. Longe de ser uma exigência pesada, a entrega dos dízimos seria uma ocasião de alegre celebração e adoração." O texto também cita, além dos levitas e sacerdotes, que eram desprovidos de herança, o estrangeiro, o órfão e a viúva, numa clara demonstração que o Senhor se preocupa com os menores, com os excluídos da sociedade. E mais, passa a seus filhos a responsabilidade de ampará-los!