quarta-feira, 6 de julho de 2011

                           Deuteronômio 30


     Moisés passa agora a falar do arrependimento que precisaria ocorrer, pois ele previa a real possibilidade de julgamento e exílio de Israel (exílio é o estado de estar longe da própria casa (cidade ou nação) e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. Também pode-se utilizar as palavras, banimento, desterro). Só mediante arrependimento genuíno, viria restauração e bênção após o julgamento. Ele prevê que o povo seria lançado para outras nações, e sofreria por isso, provando da maldição descrita na Lei. 
     No verso 6 ele fala que o próprio Deus circuncidaria o coração deles. Quando Moisés diz isso ele está fazendo um claro contraste com aqueles do povo que tinham sim, sido circuncidados ao oitavo dia, faziam suas obrigações religiosas, participavam das festas solenes, cumpriam os calendários litúrgicos, mas seus corações estavam demasiadamente longe de tudo aquilo... Por isso aqui é dito que quem faria esta grande obra seria o Senhor! Somente Ele tem o poder de mudar a nossa alma, a nossa vontade, o rumo do nosso coração. Podemos estar fazendo tudo 'como manda o figurino', mas lá no fundo, bem no fundo, tão no fundo que só nós e Deus sabemos, estarmos muito longe dele! Moisés está falando de conversão, daquela obra sobrenatural que só o Espírito Santo de Deus pode realizar em nós. Daquela obra que não depende de nossos pais, de nossa igreja, de nosso pastor, e sequer de nós mesmos. É uma obra exclusiva de Deus: circuncidar o coração! 
     Por causa desta obra sobrenatural descrita no verso 6, é que Moisés declara nos versos de 11 a 14 que a Lei de Deus e seus mandamentos não são demasiadamente difíceis, nem estão longe demais de nós de forma que não possamos cumpri-los. Sim, sua Lei e seus mandamentos são impossíveis e estão à léguas de distância de um coração incircunciso. Mas vemos lá em Ezequiel, quando o povo já havia sido espalhado e se tornado cativo por causa de suas abominações, a promessa de que o próprio Deus daria a eles um coração de carne: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo, tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis." (Ezequiel 36:26 e 27). É como o Salmo 19 nos descreve a Lei de Deus: A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma, seus preceitos são retos, alegram o coração, seus juízos são verdadeiros e justos e mais desejáveis do que o ouro e são mais doces do que o mel. Mas quem é o homem que se sente assim diante da Lei de Deus? Somente aqueles que tiveram seus corações circuncidados e seus corações de pedra substituídos divinamente por corações de carne!
     Talvez este seja um bom momento para olharmos para dentro de nós. Como você e eu temos encarado as exigências da Lei de Deus? Elas nos têm sido pesadas, difíceis de ser cumpridas, custosas e têm nos trazido desgosto? Ou ao contrário, mesmo que remando contra a maré dos nossos dias e contra a nossa própria vontade carnal, temos tido alegria e contentamento em fazer aquilo que o Senhor exige de nós? Nosso coração tem se regalado em sua Palavra, ou a leitura desta é apenas mais uma das obrigações diárias de crente? Temos nos alegrado em falar dos decretos de Deus, em nos reunir para ouvir a sua Palavra? Ansiamos pelo domingo? Nosso coração realmente está nas nossas práticas religiosas, ou temos cumprido todos os rituais esperados, mas nossa alma tem estado fria, e nosso coração não tem ardido como ardia o coração daqueles discípulos no caminho de Emaús, enquanto o Mestre lhes falava? (Lucas 24:30 a 32). Todas estas perguntas precisam ser feitas, para que não estejamos na mesma situação do povo de Israel descrita lá em Isaías 1:11 a 17, quando Deus diz que não aguenta mais seus cultos, suas ofertas, suas solenidades, suas festas. E por que Ele diz isso, se Ele mesmo havia instituído tais práticas? Porque o povo fazia tudo aquilo, mas seus corações estavam longe do Senhor. Suas vidas não condiziam com a fé que professavam com os lábios. Que Deus tenha misericórdia de nós, e soberanamente circuncide nossos corações, para amarmos cada dia mais a sua Lei!

6 comentários:

  1. Gabriel Benjamin6 de julho de 2011 14:10

    Devemos rever nossos conceitos diariamente, será que estamos de acordo com o que DEUS manda? Essa parece ser uma simples pergunta e quem dera que fosse mas não, é uma pergunta que deve ser buscada a resposta no mais intimo do seu coração, devemos ver se ansiamos pelas coisas de DEUS ou se preferimos as coisas do mundo, o que é mais importante? E o pior temos que olhar para nós para não sermos hipócritas e professar uma fé que não seguimos na prática, que não conhecemos na verdade, por isso devemos estar cada vez mais nos endireitando no vinculo com DEUS para que possamos sentir cada vez mais alegria e anseio pelas coisas de DEUS e termos uma real fé de suas promessas.

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  2. Vemos nesse texto mais uma vez que a restauração só pode ocorrer na existência de arrependimento.
    Não podemos cair no erro de tentarmos nos enganar e enganar a Deus agindo de uma maneira e tendo o coração voltado para outra. Nosso coração deve estar sempre domado e voltado para a palavra de Deus e os seus mandamentos. Devemos estar sempre alegres em compartilhar e ler a palavra de Deus, em falar a respeito de Deus àqueles que não O conhecem, etc. Que Deus esteja conosco nos ajudando a crescermos espiritualmente a cada dia, a fim de que não caiamos nesse erro.

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  3. muito bom esse texto.
    devemos nos policiar minuto apos minuto. qualquer coisa em nosso dia a dia é uma prova (pra nós mesmos) vermos se estamos andando nos caminhos do Senhor. ou mesmo sem as obras... devemos a todo tempo repelir os maus pensamentos que vêm a nossas mentes. nao podemos deixar que "o passaro faça ninho em nossas cabecas" antes, devemos encher nossas cabecas com as coisas do reino de Deus!

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  4. Nem sempre é fácil cumprirmos os mandamentos de Deus, mas Ele sempre nos ajuda a superarmos nossas dificuldades. Na Sua palavra, Deus diz que quando pedimos algo a Ele, segundo a Sua vontade, Ele ouvirá nossas orações, e satisfará o desejo do nosso coração. Devemos levar isso a sério, e pedir cada vez mais por bênçãos espirituais, para que possamos crescer em graça diante de Deus e que as pessoas vejam a imagem de Cristo em nós.

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  5. Este texto nos faz refletir muito.Será que temos agradado a Deus com as nossas atitudes?Será que temos andado segundo seus preceitos? Além de estarmos sempre nos policiando com relação a nossa vida cotidiana,devemos procurar estar cientes,também, do quanto é importante que levemos a Lei de Deus muito a sério,como tem que ser.

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  6. Este é um texto formidável!! Mostra a real necessidade de um verdadeira conversão, conversão essa que não depende de nós, e sim da misericórdia de Deus em colocar em nós seu espírito salvador, e mediante isso tomarmos contas de nossos atos errados e nos voltarmos hulhados e arrependidos diante de Deus. Muitos de nós achamos que vivemos uma vida de crente unicamente porque vamos á igreja nos domingos, e siguimos algumas das práticas tidas como práticas de crentes. Mas Deus nos chama para uma verdadeira conversão, um verdadeiro arrependimento. Isso implica em uma mudança real de atitude e pensamentos, conformar toda nossa vida pelos ensinamentos presentes na palavra, ansiar pelo domingo, sintir falta da leitura bíblica, não conseguir deixar de orar, simples atitudes aos nossos olhos, mas que significam muito para uma vida de santidade. Deus nos chama para sermos santos, e para isso, obedecer a sua palavra se torna uma abrigação!! Gostei muito destes versos: "O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; e para que habites na terra que o Senhor prometeu com juramento a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó, que lhes havia de dar." (19,20)

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